sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

BALANÇO PENDULAR – Rafael Rocha

Do livro “Marcos do Tempo” – 2010
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Variação pendular
Tocando as horas
Homens sem vida
Zumbis do tempo
Águas fugitivas da terra
E das pedras
O sol relampeja
Infernais auroras.
Onde adormecer
Sem pontos espaciais?
Onde acordar/trabalhar/vida/morte?
Na ciranda dos minutos
Segundos contados
Balança o pêndulo
Ao marco da sorte.
Rios esquecem
De alcançar oceanos
Dores peregrinas
Enchem o ar
Vida/morte/sonho/amor
Em milésimos
Dos segundos
Descontados ao eterno.
Variação pendular
Nos marcos do tempo
Dores peregrinas
Auroras infernais
Zumbis da terra
Homens sem vida
Imagem/milênio
Como apaziguar dor/paixão/desejos?

BOLEROS E CARNAVAIS – Rafael Rocha

Do livro “Contos Delirantes com Versos em Bolero” - 2017
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Nos outroras de quando fomos
festas/carnavais/dançarinos
rostos colados/bolero/meia-luz
máscaras/confetes/serpentinas.
Ah, passaram-se os anos!...

Do beijo na pista de dança.
Corpos colados/langor maciço.
Olhos fechados/bocas molhadas.
Doses de vodca ou de rum...

Festas/carnavais/dançarinos.
Máscara negra/rock in roll...
Contigo aprendi os abraços.
Besos mojados, enfim…

Ah, passaram anos!...
E não mais carnavais/dançarinos
Não mais boleros.
Não mais vodca ou rum...

Neste bar solitário da vida
apenas o cigarro nos dedos
cerveja vadiando na mesa...
Passaram anos, sim!...

ALERTA (1968) – Rafael Rocha

Do livro “Poemas dos Anos de Chumbo” – 2017
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Chamar a atenção dos poetas
à luz que se apaga
no ambiente das nossas casas.
Dizer-lhes da precisão
de versos menos obscuros
nesse tipo de instante.

Em que espaço de mundo estão os poetas?

(Dizem que foram aos subterrâneos
da mente procurar
uma palavra menos árida para desinfetar
os males do planeta.
Dizem que voltaram armados com flores e versos
e que andam clamando por salvação)

MARCAÇÃO LOUCA – Rafael Rocha


Do livro “SANGRAMENTO” inserido na coletânea “Poetas da Idade Urbana” - 2013
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Pássaros no espaço voejam
Com destino a qualquer lugar
As plantas nocivas vicejam
Em conluio com a cor do ar
O relógio marca apenas horas
No estrada da vida a passar
O copo de cerveja perde o gelo
E o cigarro começa a se apagar
De tudo restam cinzas ou degelo
No rastro dos pássaros no ar
Uma palavra faz um só apelo
A este escrevinhar

Dizem restar amor nos solos
Dizem restar cantos no ar
Dizem acabar gelo dos pólos
Dizem tudo quase sem pensar
Nesses dizeres alguém ainda grita
Sonhos sem rotas concretas
Sonhar é a ideia perdida
Nas mentes loucas dos poetas
Onde a cor da palavra se agita
Onde a dor do amor anda a ver
A atitude de pressentir a vida
Quando escrever

As plantas nocivas vicejam
Em conluio com a cor do ar
Tanto como metáforas ensejam
Passar e viver. Viver e passar.
Minutos também são de relógios
Marcam instantes ao relembrar
Recriando outros mil imbróglios
Vendo o cigarro a se apagar
Pássaros no espaço voejando
Segundos também vão se marcar
Cinzas e degelos vão restando 
Neste poema a se findar

sábado, 14 de dezembro de 2019

SOBRE O ESCRITOR, JORNALISTA E POETA RAFAEL ROCHA


Rafael Rocha Neto ou Rafael Rocha ou simplesmente Rafa é brasileiro.  Nasceu em Olinda/PE, em 1º de outubro de 1949, mas foi registrado como sendo natural do Recife, capital de Pernambuco. Filho de Irene de Almeida Rocha e Ivanildo Lins Rocha lançou seu primeiro livro, intitulado “Meio a Meio” (poesias) no ano de 1979. É casado com Mailde Gomes da Silva Rocha e pai de Rodrigo Gomes da Silva Rocha e Rafael Gomes da Silva Rocha. Em 1986, foi agraciado com Menção Honrosa pela Academia de Letras e Artes de Araguari (Minas Gerais) pelo conto “Grãos de Terra Sobre”.  No ano de 1989, cinco de seus contos foram premiados pela Fundarpe – Fundação de Cultura do Estado de Pernambuco, juntamente com outros três novos escritores, sendo lançados numa antologia intitulada “Novos Ficcionistas Pernambucanos”. Também nesse ano de 1989 foi agraciado pela Academia Pernambucana de Letras (APL) com o prêmio Leda Carvalho (1988), pelo seu livro de contos “O Espelho da Alma Janela”. No ano de 2011 foi novamente laureado pela Academia Pernambucana de Letras (APL), dessa vez com Menção Honrosa, prêmio Vânia Souto Carvalho, pelo seu romance “Olhos Abertos para a Morte”. O autor é bacharel em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e exerceu a função de jornalista nos jornais Diário de Pernambuco (1989/2014), Jornal do Commercio do Recife (1979), e na Editora Comunicarte, em 1981. Foi assessor de Imprensa na Secretaria de Transportes do Estado de Pernambuco (1986/1997) e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PE) nos anos de 1995 a 1997.
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Quinze livros já lançados
Meio a Meio (poesias); A Última Dama da Noite (romance); O Espelho da Alma Janela (contos); Marcos do Tempo (poesias); Olhos Abertos para a Morte (romance); Poetas da Idade Urbana (poesias em parceria com os poetas Genésio Linhares e Valdeci Ferraz); Felizes na Dor – Tributo ao poeta Charles Bukowski (poesias); Contos Delirantes com Versos em Bolero (contos e poemas); Abismo das Máscaras (poesias); Poemas dos Anos de Chumbo (poesias); Loucura (poesias); Andanças (romance); Farol (poesias); Encíclica dos Homens – Encyclicae Hominum (poesias); Tudo Pode Ser Amor (poesias).

BAS-FOND – Rafael Rocha

Do livro “Felizes na Dor – Tributo ao poeta Charles Bukowski” – 2016
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é grande essa vaidade
de ser homem
e de fuder todas
e tentar escrever um verso
sobre um tema
assim tão complexo
uma cerveja gelada
seria ótimo agora
para fazer descer goela
abaixo
as putarias da vida.

2. DO EMBALO DA SOLIDÃO – Rafael Rocha

Do livro “ENCÍCLICA DOS HOMENS (Encyclicae Hominum)” - 2019
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12. Sentir a solidão é algo impróprio para menores de idade. Só adolescentes e adultos podem sentir esse desamparo, vindo dos planaltos/planícies às salinidades oceânicas.
13. O interessante é: aqueles que amam não sentem a solidão. Estão imiscuídos na solidão, e não contam os dias em que estarão sós, eternamente, debaixo da terra.
14. A morte nasceu no homem ao primeiro sopro da vida. Tanto que ele a reconhece nos marcos do seu tempo. E finge não vê-la...
15. Os homens inventam a solidão e embalam a solidão, amparados na intensidade da paixão.
16. Os maiores de cinquenta anos já vivem a cultivar o temor da morte nas suas andanças pelas ruas. Morrem todos os dias, esquecendo que a morte está enraizada em suas vidas.
17. Suores deslizam velozes e brilham na carne enrugada e a sede pede mais água como sexo pede mais amor, como amor traz mais suores e aumenta o perfil da paixão. Aquele a zombar dos meus passos na terra não tem razão para ter espaço na terra. Ele zomba é de si mesmo. Aquele a chorar dos meus risos na terra não tem lágrimas para chorar por nada além dele mesmo. Que plano ridículo esse de criar deuses na terra e dentro dos cérebros humanos!
18. Minha escritura é nivelada nos neurônios criadores das palavras a trazer imagens e sonhos. As ideias dessa escritura giram em tramas labirínticas tecidas em organizada mandala de minhas experiências neste planeta.
19. Organizo versos cantando letra a letra, sem temor ou medo, parágrafos em versículos, criando novos ritmos e novas músicas.
20. Daí o beijo na boca a nos fazer vizinhos das estrelas e como um amparo contra a solidão. 
21. Meu vinho é sangue. Meu vinho é amargo como os meus dias. Meu vinho é noturno como os desejos sexuais.

INTERLÚDIO – Rafael Rocha

Do livro “Loucura” - 2018
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A madrugada nasce da noite
como a tarde nasce da manhã.

No meio do caminho
há uma luz vermelha
marcando nascente e poente.

As pessoas gostam desses horários.

Acordam para o dia
em um
e no outro
se preparam
para dormir.

A tarde nasce da manhã
como a madrugada nasce da noite.

Nos entremeios
a luz vermelha da estrela marca
os anseios
dos seres humanos.

TEMPO DO TEMPO FAMIGERADO – Rafael Rocha

Do livro “Farol” – 2019
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Este é o tempo do tempo famigerado
de homens e de mulheres idiotizados
pelos representantes de um ser dito divino.
Iguais aos urubus voando no espaço,
delirando ao sabor de um livro negro,
dardejando mentiras como verdades
e querendo escravizar todas as raças.

Este é o momento dos alienados,
saindo das catacumbas da história
em busca de uma nova Inquisição.
Comem patranhas como sendo realidades.
Gritam por um deus que nunca dá a cara
e querem ser grandes pensadores,
cozinhando na fogueira da mentira
as plantas medievais e inumanas.

Em nome de um deus que dizem ser de amor
criam forjas de fogo para a matança
dos que lhes pensam contra.
São iracundos!
São assassinos de almas!
Obedecem a qualquer capitão do mato
e gritam a favor da guilhotina
e dos fornos crematórios.

Este é o tempo do tempo famigerado
das mulheres e dos homens idiotizados,
criando exércitos em nome de um embuste.
Dando a própria vida, dinheiros e alimentos
aos donos de templos dourados,
acreditando, acreditando, acreditando
(pobres ingênuos)
que um dia serão salvos, salvos, salvos...

A mentira e o medo retornam às ruas.
Arames farpados protegem muros.
Os charlatões fazem o festim das almas
através do medo e do terror.
Esquecem que o homem
supera fantasias divinas.
O homem é horizonte além do oceano.
O homem é a essência de tudo.