sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

ÔMEGA & ALFA - CANTO 2 - Rafael Rocha

 

-apareceu do instante de onde olhos traziam promessas----------de paixões nuas e entrelaçadas nos mangues e nas marés-------apareceu vindo do Nada escrito na voz profética--------da terra ameaçada por extintos vulcões e por grandes secas-------chegou para desiludir os adoradores das mentiras-------pronto para encadear estrofes imagéticas---------------decepando cérebros virgens da humanidade louca--------------------

-------eis o chegar do último homem!------

CANTARES II - Rafael Rocha

 

Profetizo o verso ainda não posto à mesa.

         E neste limiar que pretende ser eterno

        Crio marcos e marcas para todos os viajantes

        E delimito no infinito do horizonte

        A dor escondida guardada dentro dos homens

        Até alcançar este infinito cheio de mim

(11)

Agora fiquemos sós.

Ainda temos tempo.

Nossos refúgios são seguros.

Estou olhando para a terra

E nela vejo uma força radiante.

Não preciso que você olhe para mim.

Não sou forte nem tenho intento insidioso

Mas não estou assim tão adormecido.

Quero atrair você para uma missão conjunta

Aos momentos em que trocamos

Ideias e argumentos.

“Qual será a missão?” Eis a pergunta.

Olhe:

As ruas estão perigosas e os seres humanos

Têm suas almas sonâmbulas programadas

Por vídeos televisivos.

Por mentiras oficiais.

Não se preocupe!

O mundo tem conserto.

Vamos entrelaçar nossas ações

Como cordas emaranhadas

A amarrar os navios do porto.

(12)

Fiquemos sós.

Tenho a intenção de amar

A sua ação esplêndida

Nos nascentes e nos poentes

Das fronteiras deste planeta.

E desejando olhar bem para dentro de mim

Você verá minha postura de guerrilheiro

Cumprindo um caminho evolutivo

Sem precedentes.

“Quem és?” Eis outra pergunta.

Olhe:

Na amplidão de todas as nossas madrugadas

Sempre aparecem as cinzas das inverdades.

Jogo-as pela janela do meu quarto.

Mas não se preocupe.

Não vou jogar fora as cinzas reais do passado.

Quero fazê-las voar célere ao seu encontro

Como a luz de uma estrela

Que só hoje alcançou a terra.

(13)

Em verdade, em verdade vos digo:

A vida dos melhores humanos

Está jogada na sarjeta

E é por esse motivo que precisamos ficar a sós

E fazer um estudo dinâmico daquilo que somos.

Hoje é uma noite de inverno.

Ela é fria.

A ventania entra pela janela do meu quarto

Trazendo os gritos dos guerreiros iguais a nós.

Em verdade, em verdade vos digo:

Somos muito mais do que habitantes das sarjetas

E por essa questão temos de ficar a sós

Para realizar os sonhos dos visionários.

(14)

Em verdade vos digo:

Quando as paisagens da terra eram outras

O homem era muito mais feliz do que hoje.

Mas ainda há tempo

Para moldar uma nova mística

E para plantar uma semente

Mais formosa de planta.

Por isso temos de ficar a sós. 

Eu e você.

Somos os únicos a compreender a nudez

A beleza, a dor, a alegria

E a verdade das coisas.

Em verdade, em verdade vos digo:

Podemos fazer o vento

Carregar mensagens otimistas

Para todos os deserdados do planeta.

(15)

Fiquemos sós!

Vamos enrodilhar nossos dedos uns nos outros.

Vamos amalgamar nossos cérebros para a luta.

Ao longo das grandes avenidas

Ninguém se fala mais.

Ninguém mais se olha para entender

As substâncias dos rostos e dos corpos.

O homem hoje ri ao matar seus semelhantes

E ao olvidar seus ancestrais

Sem chorá-los pelas suas perdições.

“Que faremos?” Eis outra questão.

Nada! Não faremos nada e faremos tudo!

Ficaremos sós para profetizar o novo tempo.

Ficaremos sós para ver

A verdadeira história ir e voltar.

(16)

A luz de sua imagem na plena madrugada

É uma condensação de paixão para meus olhos.

Em verdade, em verdade vos digo:

Haverá um tempo em que nos encontraremos

Arrependidos de nada termos sido

Tanto um para o outro

E de nada termos feito de bom

Do outro para o um.

Assim é necessário ficarmos sós

Criando tempo de mim e tempo de você.

Tentando ser ousados na criação e nas decisões.

Nos palácios, os opressores de hoje

Riem de nossos anelos

Mas nós daremos rédeas à imaginação

Quando ficarmos sós.

(17)

Nosso ficar a sós servirá

Para perturbar todo o universo.

Servirá para acabar com as leis dos “dinossauros”.

Para uma olhadela melhor às auroras.

Servirá para um mergulho fundo

Dentro de cada poro nosso.

Em verdade, em verdade vos digo:

Iremos implodir milhões de silêncios

E criar novas estrelas

Para iluminar nossas futuras madrugadas.

(18)

Fiquemos sós.

“Queres ficar a sós comigo?”

Venha então!

Conheceremos melhor

As vitórias e as derrotas.

Nas rugas de nossas peles

Saberemos quem somos

Para onde vamos

E qual o objetivo desta missão.

Em verdade vos digo, ó homem simples:

O saber dos sonhos cria em mim o dom da palavra.

O saber das lutas cria em mim o desejo da vida.

Em verdade vos digo: ao ficarmos sós

Entraremos em contato

Com todas as raças do mundo.