Este é um espaço para divulgar contos e poemas de minha autoria já publicados em livros.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
BALANÇO PENDULAR – Rafael Rocha
Do livro “Marcos do
Tempo” – 2010
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Variação pendular
Tocando as horas
Homens sem vida
Zumbis do tempo
Águas fugitivas da terra
E das pedras
O sol relampeja
Infernais auroras.
Onde adormecer
Sem pontos espaciais?
Onde acordar/trabalhar/vida/morte?
Na ciranda dos minutos
Segundos contados
Balança o pêndulo
Ao marco da sorte.
Rios esquecem
De alcançar oceanos
Dores peregrinas
Enchem o ar
Vida/morte/sonho/amor
Em milésimos
Dos segundos
Descontados ao
eterno.
Variação
pendular
Nos marcos do
tempo
Dores
peregrinas
Auroras
infernais
Zumbis da terra
Homens sem vida
Imagem/milênio
Como
apaziguar dor/paixão/desejos?
BOLEROS E CARNAVAIS – Rafael Rocha
Do livro “Contos Delirantes com
Versos em Bolero” - 2017
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Nos outroras de
quando fomos
festas/carnavais/dançarinos
rostos
colados/bolero/meia-luz
máscaras/confetes/serpentinas.
Ah, passaram-se
os anos!...
Do beijo na pista
de dança.
Corpos
colados/langor maciço.
Olhos
fechados/bocas molhadas.
Doses de vodca ou
de rum...
Festas/carnavais/dançarinos.
Máscara
negra/rock in roll...
Contigo aprendi
os abraços.
Besos mojados, enfim…
Ah, passaram
anos!...
E não mais
carnavais/dançarinos
Não mais boleros.
Não mais vodca ou
rum...
Neste bar
solitário da vida
apenas o cigarro
nos dedos
cerveja vadiando
na mesa...
Passaram anos, sim!...
ALERTA (1968) – Rafael Rocha
Do livro “Poemas
dos Anos de Chumbo” – 2017
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Chamar a atenção dos poetas
à luz que se apaga
no ambiente das nossas casas.
Dizer-lhes da precisão
de versos menos obscuros
nesse tipo de instante.
Em que espaço de mundo estão os poetas?
(Dizem que foram aos subterrâneos
da mente procurar
uma palavra menos árida para desinfetar
os males do planeta.
Dizem que voltaram armados com flores e
versos
e que andam clamando por salvação)
MARCAÇÃO LOUCA – Rafael Rocha
Do livro “SANGRAMENTO” inserido na coletânea “Poetas da Idade
Urbana” - 2013
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Pássaros
no espaço voejam
Com
destino a qualquer lugar
As
plantas nocivas vicejam
Em
conluio com a cor do ar
O
relógio marca apenas horas
No
estrada da vida a passar
O
copo de cerveja perde o gelo
E
o cigarro começa a se apagar
De
tudo restam cinzas ou degelo
No
rastro dos pássaros no ar
Uma
palavra faz um só apelo
A
este escrevinhar
Dizem
restar amor nos solos
Dizem
restar cantos no ar
Dizem
acabar gelo dos pólos
Dizem
tudo quase sem pensar
Nesses
dizeres alguém ainda grita
Sonhos
sem rotas concretas
Sonhar
é a ideia perdida
Nas
mentes loucas dos poetas
Onde
a cor da palavra se agita
Onde
a dor do amor anda a ver
A
atitude de pressentir a vida
Quando
escrever
As
plantas nocivas vicejam
Em
conluio com a cor do ar
Tanto
como metáforas ensejam
Passar
e viver. Viver e passar.
Minutos
também são de relógios
Marcam
instantes ao relembrar
Recriando
outros mil imbróglios
Vendo
o cigarro a se apagar
Pássaros
no espaço voejando
Segundos
também vão se marcar
Cinzas
e degelos vão restando
Neste poema a se findar
sábado, 14 de dezembro de 2019
SOBRE O ESCRITOR, JORNALISTA E POETA RAFAEL ROCHA
Rafael Rocha Neto ou Rafael Rocha
ou simplesmente Rafa é brasileiro.
Nasceu em Olinda/PE, em 1º de outubro de 1949, mas foi registrado como
sendo natural do Recife, capital de Pernambuco. Filho de Irene de Almeida Rocha
e Ivanildo Lins Rocha lançou seu primeiro livro, intitulado “Meio a Meio” (poesias) no ano de 1979.
É casado com Mailde Gomes da Silva Rocha e pai de Rodrigo Gomes da Silva Rocha
e Rafael Gomes da Silva Rocha. Em 1986, foi agraciado com Menção Honrosa pela
Academia de Letras e Artes de Araguari (Minas Gerais) pelo conto “Grãos de Terra Sobre”. No ano de 1989, cinco de seus contos foram
premiados pela Fundarpe – Fundação de Cultura do Estado de Pernambuco,
juntamente com outros três novos escritores, sendo lançados numa antologia
intitulada “Novos Ficcionistas
Pernambucanos”. Também nesse ano de 1989 foi agraciado pela Academia
Pernambucana de Letras (APL) com o prêmio Leda Carvalho (1988), pelo seu livro
de contos “O Espelho da Alma Janela”.
No ano de 2011 foi novamente laureado pela Academia Pernambucana de Letras
(APL), dessa vez com Menção Honrosa, prêmio Vânia Souto Carvalho, pelo seu
romance “Olhos Abertos para a Morte”.
O autor é bacharel em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco
(Unicap) e exerceu a função de jornalista nos jornais Diário de Pernambuco (1989/2014), Jornal do Commercio do Recife (1979), e na Editora Comunicarte, em 1981. Foi assessor de Imprensa na
Secretaria de Transportes do Estado de Pernambuco (1986/1997) e no Departamento
de Estradas de Rodagem (DER/PE) nos anos de 1995 a 1997.
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Quinze livros
já lançados
Meio a Meio (poesias); A Última Dama da Noite
(romance); O Espelho da Alma Janela (contos); Marcos do Tempo
(poesias); Olhos Abertos para a Morte (romance); Poetas
da Idade Urbana (poesias em parceria com os poetas Genésio Linhares
e Valdeci Ferraz); Felizes na Dor – Tributo ao poeta Charles Bukowski
(poesias); Contos Delirantes com Versos em Bolero (contos e
poemas); Abismo das Máscaras (poesias); Poemas dos Anos de Chumbo
(poesias); Loucura (poesias); Andanças (romance); Farol (poesias); Encíclica dos Homens – Encyclicae Hominum
(poesias); Tudo Pode Ser Amor (poesias).
BAS-FOND – Rafael Rocha
Do livro “Felizes na Dor – Tributo ao poeta Charles Bukowski”
– 2016
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é
grande essa vaidade
de ser homem
e de fuder todas
e tentar escrever um verso
sobre um tema
assim tão complexo
uma cerveja gelada
seria ótimo agora
para fazer descer goela
abaixo
de ser homem
e de fuder todas
e tentar escrever um verso
sobre um tema
assim tão complexo
uma cerveja gelada
seria ótimo agora
para fazer descer goela
abaixo
as
putarias da vida.
2. DO EMBALO DA SOLIDÃO – Rafael Rocha
Do livro “ENCÍCLICA DOS HOMENS (Encyclicae Hominum)” - 2019
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12. Sentir a solidão é algo impróprio
para menores de idade. Só adolescentes e adultos podem sentir esse desamparo,
vindo dos planaltos/planícies às salinidades oceânicas.
13. O interessante é: aqueles que amam
não sentem a solidão. Estão imiscuídos na solidão, e não contam os dias em que
estarão sós, eternamente, debaixo da terra.
14. A morte nasceu no homem ao primeiro sopro da vida. Tanto que
ele a reconhece nos marcos do seu tempo. E finge não vê-la...
15. Os homens inventam a solidão e embalam a solidão,
amparados na intensidade da paixão.
16. Os maiores de cinquenta anos já vivem a cultivar o
temor da morte nas suas andanças pelas ruas. Morrem todos os dias, esquecendo
que a morte está enraizada em suas vidas.
17. Suores deslizam velozes e
brilham na carne enrugada e a sede pede mais água como sexo pede mais amor,
como amor traz mais suores e aumenta o perfil da paixão. Aquele a zombar dos
meus passos na terra não tem razão para ter espaço na terra. Ele zomba é de si
mesmo. Aquele a chorar dos meus risos na terra não tem lágrimas para chorar por
nada além dele mesmo. Que plano ridículo esse de criar deuses na terra e dentro
dos cérebros humanos!
18. Minha escritura é nivelada
nos neurônios criadores das palavras a trazer imagens e sonhos. As ideias dessa
escritura giram em tramas labirínticas tecidas em organizada mandala de minhas
experiências neste planeta.
19. Organizo versos cantando
letra a letra, sem temor ou medo, parágrafos em versículos, criando novos
ritmos e novas músicas.
20. Daí o beijo na boca a nos
fazer vizinhos das estrelas e como um amparo contra a solidão.
21.
Meu vinho é sangue. Meu vinho é amargo como os meus dias. Meu vinho é noturno
como os desejos sexuais.
INTERLÚDIO – Rafael Rocha
Do livro “Loucura” -
2018
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A madrugada nasce
da noite
como a tarde
nasce da manhã.
No meio do
caminho
há uma luz
vermelha
marcando nascente
e poente.
As pessoas gostam
desses horários.
Acordam para o
dia
em um
e no outro
se preparam
para dormir.
A tarde nasce da
manhã
como a madrugada
nasce da noite.
Nos entremeios
a luz vermelha da
estrela marca
os anseios
dos seres humanos.TEMPO DO TEMPO FAMIGERADO – Rafael Rocha
Do livro “Farol” –
2019
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Este é o tempo do tempo famigerado
de homens e
de mulheres idiotizados
pelos
representantes de um ser dito divino.
Iguais aos
urubus voando no espaço,
delirando ao
sabor de um livro negro,
dardejando
mentiras como verdades
e querendo
escravizar todas as raças.
Este é o
momento dos alienados,
saindo das
catacumbas da história
em busca de
uma nova Inquisição.
Comem
patranhas como sendo realidades.
Gritam por um
deus que nunca dá a cara
e querem ser
grandes pensadores,
cozinhando na
fogueira da mentira
as plantas
medievais e inumanas.
Em nome de um
deus que dizem ser de amor
criam forjas
de fogo para a matança
dos que lhes
pensam contra.
São iracundos!
São assassinos de almas!
Obedecem a
qualquer capitão do mato
e gritam a
favor da guilhotina
e dos fornos
crematórios.
Este é o tempo do tempo famigerado
das mulheres
e dos homens idiotizados,
criando
exércitos em nome de um embuste.
Dando a
própria vida, dinheiros e alimentos
aos donos de templos dourados,
acreditando,
acreditando, acreditando
(pobres ingênuos)
que um dia
serão salvos, salvos, salvos...
A mentira e o
medo retornam às ruas.
Arames
farpados protegem muros.
Os charlatões
fazem o festim das almas
através do
medo e do terror.
Esquecem que
o homem
supera
fantasias divinas.
O homem é
horizonte além do oceano.
O
homem é a essência de tudo.
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