sábado, 25 de janeiro de 2020

PANDORA – Rafael Rocha

Do livro “Abismo das Máscaras” - 2017
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Homens há a se fazerem fortes
e diferentes de mim.
Não sou e não serei e nem pretendo
criar uma fortaleza
com versos ingênuos.

Sigo a vida como ordena o figurino:
Morrendo aos poucos!

Criei em versos os sons dos rios
desta terra recifense
com maracatus e frevos
entrando pelas portas e janelas.
Buscava alguém para dançar e cantar
a divindade de uma musa
e sempre chegava atrasado.

Outros marcavam os ritmos
muito antes de mim.

Um dia deixei de conversar comigo
e a solidão dormiu na minha cama.
Até hoje essa invasão é permanente
ainda que eu busque minha outra história
e peça clemência
às coisas que podia ter construído.

E cada baú de madeira do meu tempo
é uma caixa de Pandora!

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