terça-feira, 23 de julho de 2019

OMBROS DO PAI – Rafael Rocha

Do livro “Marcos do Tempo” - 2010
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Muitas vezes meu pai ofereceu seu ombro
Para que eu pudesse dizer as minhas mágoas.
E dezenas de vezes (ah, essas lembranças!)
Deslizou seus dedos pelos meus cabelos
As mãos pela minha pele
Com o orgulho de um vigilante do meu tempo.
Pelas mãos de meu pai conheci caminhos
Ermos e perigosos e abismais
E escutei seus conselhos para caminhar
Naqueles onde meus pés pudessem sentir a planície.

Ele conhecia quase a fundo meus defeitos
Tanto os físicos como os do espírito
E muitas vezes pediu sem arrogância
Que eu construísse a vida afavelmente
Buscando entender a besta a viver nos outros
Mas nunca, nunca mesmo, baixasse a cabeça
Para os opressores e os arrogantes.
“Faça o que eu digo. Nunca o que faço”.

Muitas vezes meu pai fechou seus ouvidos para mim.
Fechou seus olhos e não quis enxergar minha vida.
E em quantos momentos (ah, essas lembranças!)
Aplainou carinhosamente os músculos do meu cérebro
Em silêncio, em seu constante silêncio,
Como um marceneiro a trabalhar na madeira bruta.
E era nesses instantes que eu o conhecia
Mais detidamente como o homem mais difícil
Que jamais tinha passado por minha vida.

Conheci os defeitos físicos e os do espírito do meu pai
Quando meus primeiros cabelos brancos nasceram
Ao ver que os olhos dele não tinham mais o brilho da vaidade.
E entendi que para se lapidar a vida
O homem tem de lapidar primeiro a si mesmo
E depois aceitar o tempo em que viveu como uma dádiva
Entregue por algum espírito errante.

Hoje não mais tenho comigo os ombros do meu pai
Minhas mágoas preferem dormir na solidão eterna.

O LAGO DE CARUARU – Rafael Rocha

Conto inserido no livro “Contos Delirantes com Versos em Bolero” - 2017
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Um pequeno terremoto aconteceu em Caruaru no dia 31 de outubro de 2012, durante a madrugada da quarta-feira.
A população ficou assustada, mas todos os habitantes da cidade sabiam que de vez em quando aconteciam esses pequenos tremores de terra.
Pela manhã, ficou mais assustada ainda.
O estádio de futebol do Central Sport Clube tinha desaparecido do mapa e em seu lugar nascera ou despontara (difícil achar a palavra correta) um grande lago de águas cristalinas.
A novidade causou uma pequena revolução na cidade. Como aquele lago surgira assim do nada?
A prefeitura local comunicou imediatamente o estranho fato ao Governo estadual e este levou ao conhecimento do Governo federal.
Em questão de uma hora, todas as redes de televisão do Brasil chegaram de helicóptero para divulgar o inesperado acontecimento.
As emissoras de rádio não paravam de transmitir notícias sobre isso e lamentavam o surgimento do lago, pois daí a três dias, no domingo, o Central Sport Clube teria de jogar uma partida de futebol pelo campeonato pernambucano contra uma equipe do Recife.
E agora? O que fazer?
Geólogos, geógrafos, engenheiros e cientistas de todos os cantos do país e do exterior começaram a chegar à cidade. Todos queriam ver o estranho lago e também descobrir como ele tinha tomado o lugar do estádio.
Parecia bruxaria!
Os habitantes de Caruaru é que estavam felizes, principalmente os jovens e as crianças.
- Agora teremos praia! Vai ser muito bom! - gritavam.
Algumas lanchas especiais foram trazidas e toda a área interditada. Isso gerou várias reclamações da oposição contra o prefeito e contra o governador.
- Não sabemos ainda o que isso significa! - disse o prefeito para a reportagem - Temos de tomar todo o cuidado e investigar o acontecimento. Depois, se não descobrirmos nada perigoso, liberamos o lago.
Ns primeiras horas, a vigilância foi extrema. Um rapaz terminou sendo preso no lado sul do lago por ter pescado um grande dourado de água doce com uma rede de arrasto. Assim, ao redor de todo aquele monte de água foram colocados cartazes dizendo: PROIBIDO PESCAR!
O prefeito fez uma reunião de emergência com todos os seus assessores. Um sorriso iluminava a sua face. Na reunião, ele solicitou ao senhor Bruno Lagos, um dos engenheiros de sua equipe, a montagem de uma nova estrutura hídrica.
- Agora não vai faltar água e não teremos mais racionamento!
Os exploradores científicos fizeram uma reunião à tarde. Não conseguiram descobrir nada sobre o misterioso surgimento de tanto líquido no lugar do estádio de futebol.
- É um mistério! Que coisa estranha! - diziam.
O dia terminou. O sol desapareceu no horizonte. A lua nasceu e iluminou o grande lago. Porém, milhares de pessoas queriam, porque queriam ver a surrealista aparição.
Os religiosos disseram que aquilo era um milagre. Deus estava a falar com o seu povo através das águas. Também solicitaram à prefeitura permissão para batizar as pessoas com as novas águas.
Pouca gente dormiu naquele dia e na quinta-feira. O lago era fantástico. O mundo inteiro já o conhecia através da internet e das redes televisivas.
A madrugada da sexta-feira chegou e pessoas e mais pessoas apareciam para ver in loco o fantástico lago. Policiais fardados e outros à paisana tomavam conta da multidão para que nada acontecesse com ela.
Lá para as quatro da matina um grande nevoeiro começou a tomar conta de todos os espaços circundantes àquelas águas, escondendo objetos, pessoas, veículos e tudo que estivesse tanto no centro do lago como ao redor.
O denso nevoeiro foi seguido por um forte perfume a entontecer o cérebro de todas as pessoas presentes que aos poucos foram caindo numa modorra, desabando os corpos e adormecendo.
Lá pelas oito da manhã da sexta-feira, 2 de novembro, começaram a sair do torpor em que se tinham vitimado.
As centenas de pessoas recém-chegadas dos mais estranhos lugares do mundo e do país, juntas com os milhares da população da cidade olharam-se umas às outras e começaram a se perguntar o que estavam fazendo ali naquele espaço.
Não recordavam nada.
Muitas delas começaram a acordar nas arquibancadas e até nos camarotes do estádio que tinha reaparecido no lugar do lago. 
Bruxaria ou sinal dos tempos?

METAMORFOSE – Rafael Rocha

Do livro “Sangramento” inserido na coletânea “Poetas da Idade Urbana” – 2013
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Desejava eu falar à minha irmã
De quanto o mundo é nosso
E de quanto ela precisa
Acordar!

Desejava eu dizer à minha irmã
O mundo foi feito para nós
E de como precisamos ser
Humanos!

Desejava eu falar à minha irmã
O amor mal nascido e interessado
Em ser um amor comum
Amorável!

Desejava eu dizer à minha irmã
Do quanto ela/eu nos precisamos
A sermos libertários e amigos
Anarquistas!

Desejava eu falar à minha irmã
Homem e mulher nós somos
Invasores das ideias e dos sonhos
Amantes!

E dizer sem sentir o máximo
Será não dizer nada!
Minha irmã precisa mergulhar no nada
Para se tornar tudo.

PUTA NOSSA - Rafael Rocha

Do livro “Felizes na Dor – Tributo ao poeta Charles Bukowski” – 2016
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puta nossa a viver na rua
bem fudida seja a tua buceta
venha a nós os teus boquetes
nas camas e nas esquinas da cidade

teu cu apertado ou frouxo nos dai hoje
e receba o jorro da gala colante dentro e fora
e deixai cair sempre sobre nós
a deliciosa tentação das fodas

amém!

SONHO AZUL – Rafael Rocha

Do livro “Loucura” – 2018
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Qual o motivo de teus olhos serem claros
de um anil infinito e tão igual ao céu?
De onde vens para fazer-me insano
e pôr-me a negar os olhos mais escuros?

Qual deus tornou o teu olhar tão índigo
nessa face de anjo assim toda marfim?
Qual esperma criou a vida desses olhos
trazendo a marca de teu nome secreto?

Esse azul demais azul é atmosfera
onde o desejo faz morada e prisão
a atentar meus olhos velhos e impuros.

És apenas uma ninfeta encantadora!
És o quadro não pintado pelo poeta!
És a loucura de meu sonho azul!

FAROL – Rafael Rocha

Poema do livro homônimo lançado no ano de 2019
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Igual a um farol nos arrecifes
ilumino o grande navio e seus marujos.
Busco avisar sobre os abismos nas águas
com minha luz rápida e voadora
de norte ao sul e de leste a nordeste.

Um farol obstinado a espalhar
claridade sobre as grandes ondas.
Com a luz vou criando trilhas
nas águas verdes e agitadas do oceano
com a audácia de minha linguagem.

O grande navio e os seus tripulantes
pedem pelo clarão da estrela-guia.
- Ela é o caminho para o albergue
e à visualização de um ótimo porto
onde a esperança aguarda os marinheiros.

Todos eles buscam a potente luz,
vagueando de norte a sul ao leste
e ao nordeste do turbulento mar.
Clarão que tenta salvar vidas
e impedir o naufrágio do grande barco.

A ÚLTIMA DAMA DA NOITE – Rafael Rocha

Terceiro capítulo do romance lançado no ano de 2002
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A notícia alcançou a consciência do padre Ferrari, trazendo à sua mente a lembrança de um passado que ele gostaria de ver esquecido para sempre. Saiu do confessionário e se dirigiu até um dos bancos da igreja, onde, ajoelhado, começou a rezar. Severina Amor ficou a observá-lo.
Por sinal, ela o conhecia muito bem. Já mergulhara e sondara as suas epidermes quando ele - imberbe seminarista - a procurara no desespero, fugindo das garras e dos anseios de paixão do viado Hely D’Anjour, conhecido na área portuária como Roberta Cucu, que sempre tentava contatar jovens rapazes e levá-los a um dos quartos da boate Chantecler para conhecerem os mistérios e as fantasias sexuais dos homos.
Severina Amor lembrava sobre como conseguira espantar aquele frango safado, usando para isso ferozes artifícios de mulher da vida e seu instinto maternal, mesmo sem nunca ter gerado um filho.
Ameaçando furar a barriga do viado com um punhal, Amor levou o jovem Luiz ao seu quarto, no primeiro andar da casa de número 43 da Rua Vigário Tenório, tomando-o aos seus cuidados, mostrando-lhe os prazeres normais do sexo e acarinhando-o como um bebê recém-saído das fraldas e ainda não pronto para enfrentar as vicissitudes do mundo.
O jovem seminarista, enviado por D’Anjour a espaços sexuais febris e insinuantes, nunca imaginara o deslizar em carnes femininas tão diverso do apreciado nas mãos do viado, e se deixou levar muito mais longe do que permitiam seus limites.
Assim, esqueceu as sabatinas religiosas e a rígida disciplina do seminário de Olinda, onde estudava, conhecendo reentrâncias e entrâncias, formas suaves e redondas, sinuosas e escorregadias, até centenas de astros brilharem no escuro quarto da pensão, enviando-o para um espaço muito acima daquele das orações a Deus, à Virgem Maria e ao Crucificado.
Conheceu Maria Rosa no dia seguinte à noite “pecaminosa” com Severina Amor.
A mulher chamou sua atenção por ser extremamente bela e branca, numa brancura contrastante com seus grandes olhos, onde o azul dardejava sonhos nas paredes sujas da pensão.
Olhos, com insinuantes brilhos dos felinos habitantes dos telhados, e com tormentos interiores tão profundos, que o jovem seminarista achou de bom tom dizer-lhe quem era e como estava perdido na encruzilhada da vida, sem entender os sentimentos contraditórios a invadir seus anseios, levando-o ao outro caminho, onde Lúcifer mandava e desmandava.
– Pecado é num sabê o que é o gosto do mundo, meu !... – disse a madame para ele.
Quando o rapaz se abriu por completo, dizendo que toda sua vida tinha sido entregue a Deus, pretendendo tornar-se padre, a mulher soltou uma gargalhada com sabor de glosa, retrucando:
– Deus sabe mermo o que faz. Ora, como sabe! Taí o resultado... Um futuro padre na casa da madama, quase perdido na roupinha de seda do frango. Ora, ora... Deus sabe mermo o que faz!
– Não estou entendendo...
– Benzinho, isto por cá é a zona. Num é a casa da tua mãe ou do teu pai não, visse? É a zona! Aqui os ômes vêm pra fuder, vadiá, enfiá os dedos e as línguas nas pererecas da gente e outros vêm inté pra queimar o fiofó.
– Virgem santa!...
– Tem tipo pra tudo nesse cafofo, meu ! Se Deus manda um futuro padre por cá, é porque sabe muito bem o que tá fazendo, visse? Onde já se viu padre ouvir confissão e perdoá pecado sem sabê o que é fuder, tomá no cu e chupá perereca como se chupa manga e caju?
– Eu... Bem, eu...
Num porcupe a entender. Ele escreve certo por linha tortas. Ele é Deus, meu !... No futuro... Lá no seu futuro... Espero que você tenha compreensão e lembre do que aprendeu pras bandas de cá.
– Será? É um meio de aprender estranho. É um aprendizado esquisito...
– A gente aprende a vida nas esquisitices dela merma, meu !... Se as coisas não fosse esquisitas, ôme num nascia da barriga da muié, saía pelos óios...
O padre Ferrari ergueu os olhos até o altar-mor e seus lábios balbuciaram uma prece que dona Biu não assimilou qual pudesse ser. Depois...
Ele colocou os olhos nela e ela viu a mansidão de alma em que ele se tinha transformado. Viu as suas rugas e a dentadura postiça, logo após um sorriso meio torto e tímido.
A voz do padre parecia vir de muito longe: 
– Seja feita a vontade de Deus, minha filha. Vamos, então. Vamos preparar as coisas e encomendar a alma daquela pobre mulher ao Criador.

OLHOS ABERTOS PARA A MORTE – Rafael Rocha

Terceiro capítulo do livro homônimo lançado no ano de 2012 – Agraciado com Menção Honrosa pela Academia Pernambucana de Letras (APL) – Prêmio Vânia Souto Carvalho (2011)
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Acordava sempre às seis da manhã e após o desjejum sua mãe o levava até a parada do ônibus, no rumo da escola. Era um aluno aplicado. No entanto, sua aplicação baseava-se no simples fato de que se não cumprisse o que lhe era ordenado, iria sofrer as penas do inferno. Uma vez, gazeou dois dias de aulas por conta própria, passeando de trem desde a estação de Jaboatão à do Recife. Seu pai soube. O carrancudo coronel do Exército, Wellington Clemens, acorrentou-o no quarto no fim de semana. Colocou livros e cadernos no chão. Abriu-os, mostrando os deveres ainda não feitos.
Sentiu-se despido vagarosamente. Nu, amarrado pelos pulsos a um dos caibros do telhado, viu seu pai vendar-lhe os olhos. Escutava o pranto da mãe vindo de algum recanto da casa. Tentou gritar, mas estava com a boca amordaçada. “Lembre-se que isso é para o seu bem! Não coloquei filho no mundo para ser outro vagabundo de merda!”, escutou o pai dizer.
A primeira vergastada alcançou suas nádegas. Era o cinturão de couro de jacaré do pai. A segunda vergastada atingiu suas costas. A terceira novamente suas nádegas. A partir daí, começou a ser surrado com calma, sem clemência, para que pudesse sentir a dor e a agonia. Nas nádegas, nas barrigas das pernas, nas costas. O cinturão atacava metodicamente. A dor era insuportável. Como não podia gritar, o corpo suava, parecendo pedir socorro. “Para você lembrar que isso é para seu bem! Eu penso no seu futuro! Filho meu não vai ser qualquer vagabundo safado!”, escutava a voz do pai, e lá vinha outra vergastada do cinturão de couro de jacaré.
Tinha perdido a conta de quantas chibatadas levara naquele dia. Mas desse momento em diante aprendera que a obediência era a única solução possível. Não tinha força alguma para enfrentar o tamanho de homem que era seu pai. Após a surra, a venda foi retirada junto com a mordaça. “Você mereceu isso, rapaz! Fiz isso para seu bem. Não falte mais as aulas. Estude! Olhe seus cadernos no chão. Vai estudar, não vai?” Olhou para o pai. A mãe agora estava ao seu lado, com um pano úmido a passar no seu corpo castigado. A pele estava rubra devido às vergastadas. Anuiu com a cabeça. E começou a pegar os livros e a levá-los até sua mesinha de estudo no quarto.
À noite, antes de dormir, o coronel Clemens o chamou até a sala. Tinha 13 anos quando isso aconteceu e desde esse dia, descobriu que obedecer tem de ser com dor. “A partir de hoje, antes de dormir, vamos cantar o hino”, disse o pai. “Qual hino?”, perguntou ele. “Nosso hino! O hino que faz os homens serem fortes!” 
Aprendeu rápido a cantar. Todas as noites antes de dormir, lá pelas nove horas da noite, ele e o pai se juntavam na sala de estar e cantavam: “Nós somos da Pátria a guarda / Fiéis soldados / Por ela amados / Nas cores de nossa farda / Rebrilha a glória / Fulge a vitória”.

CÂNCER – Rafael Rocha

Do livro “Abismo das Máscaras” - 2017
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A história oficial foi decretada verdadeira
e imposta aos mestres e aos discípulos dos mestres.
Nenhum remorso veio aos criadores
e até mesmo comentaram:
- Tudo é uma ilusão e toda ilusão cabe na vida!
- O que aconteceu no mundo deve glorificar os vencedores!
- Os vencidos aprendem através dos filhos!
- Podemos criar deuses pela necessidade!
- A guerra ensina que a mentira deve ser verdade!
- A história somos nós que a fazemos!
- As crianças aprendem e seguem!

Em cada país existe uma história oficial.
A isca é lançada e todos a querem morder.
O passado vive em constante ludibrio.
Tudo segue seu caminho pelo vento
mais recente a agitar as palmeiras.
Emissoras de TV têm horários nobres para mentir.
Emissoras de rádio têm obrigações para iludir.
A história oficial é vendida com heróis de fachada
e vilões que na verdade eram os heróis.
A cultura tem de possuir luminares de esgotos
propagando emoções sexuais e hormonais.

Toda história oficial é um câncer em metástase
inserido em palavras vazias e em imagens pueris.